Outubro Rosa: informação e cuidado que salvam vidas

Outubro chegou e com ele a lembrança de que a prevenção ainda é o melhor tratamento.

O câncer de mama é hoje o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras (sem contar os tumores de pele não melanoma) e também o que mais mata. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve ter cerca de 78.610 novos casos da doença em cada ano do triênio 2026-2028, um risco de aproximadamente 71,57 casos para cada 100 mil mulheres. Esse número equivale a cerca de 30% de todos os novos casos de câncer estimados na população feminina. A idade é um dos principais fatores de risco, já que cerca de quatro em cada cinco casos acontecem depois dos 50 anos. Atenção redobrada também para quem tem histórico familiar: casos de câncer de mama na família, sobretudo antes dos 50 anos, câncer de ovário, câncer de mama em homens e alterações nos genes BRCA1 e BRCA2.

A mamografia é o principal exame para descobrir o câncer de mama cedo, quando as chances de tratamento e cura são muito maiores. Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde atualizou suas recomendações. Agora, mulheres de 40 a 49 anos têm acesso garantido ao exame pelo SUS; de 50 a 74 anos, a orientação é fazer a mamografia a cada dois anos; e acima de 74 anos, a decisão é individual, considerando outras doenças e a expectativa de vida. Para a faixa dos 40 aos 49 anos, o exame é feito sob demanda, em decisão conjunta com o profissional de saúde, mesmo sem sintomas. A mudança é importante porque mulheres entre 40 e 49 anos já respondem por 23% dos casos no Brasil, enquanto quase 60% dos casos estão entre os 50 e os 74 anos. Por isso, os agentes da Pastoral da Saúde têm um papel valioso: lembrar as mulheres da sua comunidade de procurar a Unidade Básica de Saúde e manter a mamografia em dia.

Além da mamografia, é fundamental que cada mulher conheça o próprio corpo. Observar e tocar as mamas no dia a dia, no banho, ao trocar de roupa ou em qualquer momento confortável, ajuda a perceber mudanças. Fique atenta a vermelhidão, inchaço, pele repuxada ou retraída, caroços nas axilas ou saída espontânea de líquido pelo mamilo, além de nódulos (caroços) na mama ou alterações no formato e tamanho. Esse cuidado é importante, mas não substitui a mamografia: o exame consegue identificar alterações muito pequenas, antes mesmo de serem sentidas pelo toque. E, diante de qualquer sinal diferente, a orientação é clara: toda alteração persistente nas mamas deve ser avaliada por um profissional de saúde, sem esperar a data da próxima mamografia e sem medo. Procurar ajuda cedo é um gesto de amor por si mesma e por quem está ao seu redor.

Dra. Ana Elisa Saragossa Zafalon – CRM-SP 219166

REFERÊNCIAS

ALÉM do nódulo, retração e secreção no seio podem indicar câncer de mama. Metrópoles, Brasília, DF, 1 out. 2026. Disponível em: https://www.metropoles.com/saude/alem-do-nodulo-retracao-e-secrecao-no-seio-podem-indicar-cancer-de-mama

BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde e INCA apresentam publicação com dados atualizados sobre câncer de mama no Brasil. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 3 out. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/outubro/ministerio-da-saude-e-inca-apresentam-publicacao-com-dados-atualizados-sobre-cancer-de-mama-no-brasil

BRASIL. Secretaria de Comunicação Social. SUS amplia acesso à mamografia a mulheres de 40 a 49 anos. Brasília, DF: Secom, 24 set. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2025/09/sus-amplia-acesso-a-mamografia-a-mulheres-de-40-a-49-anos

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