Saúde é o equilíbrio emocional entre o patrimônio interno e as exigências diárias, ou vivências externas. É a capacidade de administrar a própria vida e as suas emoções dentro de um amplo espectro de variações sem, contudo, perder o valor do real e do precioso. É saber fazer a integralidade da vida.
O cuidado com o outro nos conduz numa relação afetiva e efetiva de forma equilibrada. O cuidado com o outro pode ajudar a desenvolver a empatia, que é a capacidade de compreender profundamente o outro. A empatia pode ajudar a construir uma conexão mais forte com o outro, a aumentar a satisfação no relacionamento e a diminuir os conflitos internos e externos. O cuidado com o outro pode ajudar a trabalhar o autoconhecimento, a reconhecer as influências familiares, culturais e históricas sobre o imaginário, e a reconhecer os pontos fortes e fracos em si mesmo.
O autocuidado é uma necessidade para manter a saúde mental e emocional equilibrada. Reservar um tempo para si mesmo e cuidar das emoções pode trazer grandes benefícios para a vida cotidiana.
O profissional da saúde é a pessoa que trabalha em uma profissão relacionada às ciências da saúde, lida com sofrimentos dos pacientes. Entre os diversos profissionais que exercem seu fazer em ambiente hospitalar, encontram-se: médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais, fonoaudiólogos, dentistas, terapeutas, psicólogos, cada um exercendo bem sua função, sem intrusão na função alheia.
Esse profissional que trabalha em situações de urgência e emergência, particularmente no pronto socorro, defronta-se no seu cotidiano com situações da mais alta complexidade emocional, que podem vir a mobilizar a esfera do seu próprio emocional, por vezes de uma forma bastante intensa. Isso não só dificulta seu trabalho, como o confunde diante dos aspectos técnicos, acarretando-lhe um grau considerável de sofrimento pessoal.
Dessa forma, algumas situações podem levar o profissional de saúde a desenvolver processos emocionais de identificações patológicas com o sofrimento do paciente ou com sua doença, tornando o trabalho do profissional de saúde insalubre do ponto de vista psicológico. Os profissionais se defendem de sua impotência e fragilidade através de fantasias de onipotência.
A Psicologia da Saúde Hospitalar entende que o cuidado e a proteção de profissionais e pacientes são duas faces da mesma moeda, essenciais para uma assistência humanizada e eficaz. A abordagem psicológica enfatiza a visão biopsicossocial do ser humano, indicando que o sofrimento emocional deve ser acolhido com a mesma seriedade que as doenças físicas.
A psicologia destaca ainda que profissionais de saúde, especialmente na linha de frente, estão expostos a alto estresse, risco de burnout, ansiedade e depressão. É fundamental o monitoramento e o suporte psicológico para os colaboradores da saúde, visando prevenir o adoecimento mental. Os profissionais de saúde precisam se sentir seguros para relatar falhas, expressar medos e pedir ajuda sem medo de represálias das esferas competentes.
O profissional de saúde é uma pessoa humana, tem vida pessoal, tem família, não é um semideus, é uma pessoa vulnerável, cercada de imperfeições, necessita ser ouvido e acolhido em suas fragilidades. Ter essa ciência melhora o trabalho em equipe e reduz erros com o paciente.
As organizações de saúde devem priorizar a saúde mental da equipe sobre a produtividade, criando um ambiente de suporte, com comunicação aberta e políticas claras de proteção. Ações educativas sobre gestão de sentimentos e emoções no ambiente hospitalar são essenciais para ajudar os profissionais a lidar com a dor alheia.
O papel da psicologia é minimizar o sofrimento psíquico, reconhecendo que o adoecimento físico frequentemente traz uma “urgência subjetiva” (medos, ansiedades, desamparo). O profissional de saúde precisa estar bem com sua saúde mental.
Aquisição de práticas de acolhimento, empatia e respeito às necessidades singulares de cada paciente são centrais aos profissionais de saúde.
Oferecer espaço para profissionais e pacientes expressarem suas vivências sobre a doença e outros sofrimentos ajuda na sua reabilitação e adesão ao tratamento. A atitude do profissional de saúde tem significado terapêutico ou antiterapêutico. A “psicoterapia implícita” do cotidiano — o tom de voz, o olhar, o toque (quando possível) — é um cuidado fundamental.
Em regra geral, o profissional de saúde deve ser empático, escutar, acolher o paciente, mas não decidir pelo seu paciente. A bioética moderna e o Direito brasileiro priorizam a autonomia do paciente, o que significa que o paciente tem o direito de decidir sobre seu próprio corpo e tratamento ou outra pessoa, familiar ou não, que responde por esse paciente.
O papel do profissional de saúde evoluiu de um modelo “paternalista” (onde o médico decide tudo) para a decisão compartilhada, um processo colaborativo de troca de informações, riscos e benefícios, respeitando os valores do paciente, não é a compaixão do profissional de saúde. O paciente capaz, após receber informações claras e precisas sobre seu diagnóstico, prognóstico e opções de tratamento, deve consentir ou recusar qualquer procedimento.
O bem-estar mental dos profissionais de saúde é fundamental para lidar com os conflitos pessoais e dos seus próprios pacientes.
Gilberto Luna de Moura
Psicólogo Clínico
CRP-02/18745
Bibliografia
CARVALHO, R.T. Manual de cuidados paliativos ANCP: ampliado e atualizado. 2 ed. São Paulo, 2023.
https://www.who.int/about/governance/constitution. Acessado em 23 de janeiro de 2026.
https://www.paliativo.org.br/biblioteca/cuidados-paliativos-necessidade-medicina-atual-diante-paciente-fora-possibilidade-terapeutica-de-cura.pdf.
Acessado em 22 de janeiro de 2026.
Imagem criada por ChatGPT — OpenAI | 24/01/2026